2. Ruínas

 

Dentro em mim apagou-se o sol da crença 

Que me dourava os dias do passado, 

E trago o coração amortalhado 

No ceticismo – essa fatal doença.  

 

Dorme a Fé sobre as ruínas do meu peito 

E sua irmã – a Esperança – agonizante 

Deixei-a, como lúbrica bacante, 

A revolver em crapuloso leito.  

 

Da mocidade o mais formoso anelo 

Partiu-se, como folha de um cutelo 

De encontro ao elmo duro da Razão. 

 

Mas creio ainda em ti, e também creio 

Que do augusto sacrário do teu seio 

Há de me vir a luz da Redenção. 

 

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