1. Esfinge
Quando ao meu lado, sentada,
Meu braço teu corpo cinge,
Por que teu rosto se tinge
Da rubra cor da alvorada?
Por que enrubeces, criança,
Quando meu lábio inocente
Vai pousar, discretamente,
Na tua formosa trança?!...
Baldado esforço!
Não creio
No teu pudor, mariposa;
Sei que a perfídia repousa
Nos abismos do teu seio.
Essa cor aveludada,
Semelhante à cor do pejo,
É a febre de um desejo,
Minha gentil namorada.
–
Na viva luz de teus olhos,
Profundos como mistérios,
Há venenos deletérios,
Há uns ocultos escolhos.
Sincero afeto não finge
Que eu não esqueço o passado;
Já fui por ti enganado...
Não és mulher, és esfinge!...


