A um lírico

 

Tu que vives de sorrisos

E de sonhos mentirosos, 

Trazendo a alma suspensa 

Por uns mundos caprichosos; 

Que viajas indolente 

Pelo país das quimeras, 

E mora lá nos mirantes 

Das luminosas esferas; 

Que és?? Velha Musa 

conjugando o verbo – amor; 

Que presumes nestes tempos 

Julietas encontrar;

 

Tu, enfim, que trazes n’alma 

Um bando de cotovias, 

Que te perdes nos atalhos 

Limosos das fantasias; 

Vais-me bradar, certamente – 

Horror! Três vezes horror! 

Ao ler os versos seguintes 

Em que defino o amor.  

 

Amor é fumo que esvai-se, 

Amor é luz que se apaga, 

Amor – suprema desgraça – 

Que o coração nos esmaga.

Amor é pura mentira, 

Mero sonho, nada mais; 

Converte uma hora de gozo 

Em torturas infernais. 

 

É o leito das Eufórbias 

Onde nossa alma agoniza, 

É combustão dos sentidos, 

É febre que carboniza.  

 

Carnaval da mocidade, 

Louca orgia da razão; 

É um copo de champagne 

Que embriaga o coração. 

 

É ainda, muitas vezes, 

Disfarçada hipocrisia; 

A moeda azinhavrada 

Com que a mulher mercancia.


6 - 8

 

 

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