5. Antítese
Essa tua altivez descomunal,
O teu olhar indômito, insolente,
Tem a atração nervosa da serpente,
E a rigidez sombria de um punhal.
Há não sei que de frio e canibal
No teu sorriso irônico, mordente;
Quando passas, derramas no ambiente
Um secreto perfume sensual.
As linhas de teu corpo deslumbrante
Fazem sonhar olímpica bacante,
Nas indecisas curvas do luar.
E eu vi-te há pouco, ó cética devassa,
Como o sombrio arcanjo da desgraça
Lacrimosa curvada ante o altar!...


