O poeta e jornalista Albino Costa nasceu na cidade portuguesa de Cedrim da Vouga (concelho de Sever de Vouga), em 28 de fevereiro de 1858, desembarcando em Recife a 30 de dezembro de 1869 (COSTA, 1992), aos onze anos. Na cidade de Pelotas, publicou poemas e diversos textos em prosa, além de fundar e dirigir diversos jornais (Diário de Pelotas, 1881; Tribuna Literária, 1° de janeiro a 23 de abril de 1882; A Pátria, 1887 – 15 out. 1888).
Nessa década, morou em Santana do Livramento (entre 1882 e 1885, COSTA, 1992) e Montevidéu (onde dirigiu o jornal A Pátria, em 1885–1886). Nessas cidades, respectivamente, nasceram seus primeiros filhos: Mário (provavelmente no ano de 1883) e Esther (cerca de setembro de 1886).
Após a proclamação da República, torna-se cidadão brasileiro “pelo áureo decreto com que a grande república neo-lusitana da América do Sul, logo ao nascer, incorporou na sua poderosa nacionalidade os estrangeiros então residentes em seu vasto e opulento território” (COSTA, 1922). Esse decreto, editado em 26 de novembro de 1889, autorizava “conceder naturalização a todo o estrangeiro que a requerer, independente das formalidades”.
Após a morte de seu filho Mário, retorna para a cidade gaúcha de Livramento, onde liderou um movimento, tornado popular através da imprensa, que obteve o alfandegamento de produtos trazidos do Uruguai, na intenção de acabar com o tradicional contrabando na fronteira. Na busca desse objetivo, mudou-se para o Rio de Janeiro, com a esposa e filhas (Ester e Jacira), onde ficou até 1897 (COSTA, 1992). Nesse ínterim, publica Memorial sobre alfândega (Livramento, 1899) e A indústria do charque (Rio de Janeiro, 1905), ambos disponíveis na Biblioteca Rio-Grandense.
A 12 de agosto de 1902 (COSTA, 1992), embarcou pela primeira vez para Portugal, numa viagem que demorou dezoito dias, tendo visitado a cidade natal e a casa paterna, além de escrever vários poemas publicados posteriormente no livro Cedrim.
Múcio Teixeira, no jornal carioca O Imparcial de 13 de abril de 1914, dá como sendo em 13 de abril de 1904 a mudança definitiva de Albino Costa para o Rio de Janeiro. Na então capital federal, Albino Costa publicou poemas nos jornais locais, além de enviar constantemente poemas e textos em prosa para periódicos gaúchos, demonstrando assim que ainda mantinha uma ligação com o estado sulino.
Documentos que constam no final de As epopéias da raça e relatos constantes em Cedrim demonstram que Albino Costa esteve em seu país natal mais duas vezes. O primeiro retorno teria ocorrido em setembro de 1912, quando doou um avião para Portugal (COSTA, 1992). O último retorno seria em novembro e dezembro de 1913 (COSTA, 1992). Não há certeza se esteve novamente em 1915, quando é publicado seu livro Cedrim.
Com certeza, Albino Costa estava novamente no Rio de Janeiro em agosto de 1920, quando publicou um texto sobre a obra de Fernando Costa, falecido no mês anterior, e que foi reproduzido no Almanaque Bertrand de 1922. O ano de 1939 desse almanaque traz a única informação sobre sua morte, que teria ocorrido “em novembro de 1937 no Brasil” (COSTA, 1938).
Bibliografia:
VAZ, Artur Emilio Alarcon. A lírica de imigrantes portugueses no Brasil meridional (1832–1922). 2006. Tese (Doutorado em Literatura Comparada) — Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.


